Os estudos que desenvolvo sobre a pintura na antiga capitania do ouro em terras brasileiras, entre os séculos XVIII e XIX, concentram-se, exclusivamente, na pintura de falsa arquitetura representada nos tetos de igrejas1. Após o primeiro contato, verifica-se um dado significativo: a decoração dos tetos pintados apresenta diversos formulários ou gramáticas. Encontramos desde os caixotões, passando pela pintura que simula arquiteturas pictoricamente executadas entre meados do século XVIII, até o primeiro quartel do século XIX. Vemos desde cenas aplicadas aos tetos; quadros recolocados; muros parapeitos; figuras esvoaçantes em nuvens circulares–com ou sem apoio da arquitetura pictórica e com ou sem termo de posicionamento2; membranas arquitetónicas em maciças construções de falsa arquitetura; até aplicação de rocalhas na parte central sustentadas por grossos pares de espécies de arcos triunfais no emolduramento da iconografia principal, para além de outras estruturas arquitetónicas falsamente construídas, mas que não caracterizam pontos de sustentação, pois se trata de elementos arquiteturais com notável função decorativa.
* autor agradece FAPE I (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de inas erais) o apoio r bido para a parti ipa ão n st on r sso int rna iona .
1 MELLO, 1998a: 85-102, 2002. 2 “Com termo de posicionamento” trata-se de figuras que estão apoiadas a determinadas estru-“Com termo de posicionamento” trata-se de figuras que estão apoiadas a determinadas estruturas arquitetónicas;“sem termo de posicionamento” são figuras que voam e se deslocam a partir